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Estivemos nos Açores. Na Terceira. O pretexto foi o 1.º Congresso Nacional de Folclore nos Açores, promovido pela Federação do Folclore Português. Em outra notícia fazemos algumas referências a este acontecimento. Mas o Congresso não foi apenas oportunidade para discussão dos propostos temas etnográficos. Foi também uma boa ocasião para melhor se conhecer a ilha Terceira nos seus aspectos paisagísticos, artísticos, históricos e culturais. E para igualmente conhecer melhor os terceirenses e, de modo particular, alguns deles.
Assim, os organizadores previram ocasiões para visitas que marcaram os congressistas do Continente: à casa onde viveu Vitorino Nemésio e na qual se conservam objectos pessoais do escritor, desde a sua cadeirinha de menino à viola que tocou; às igrejas mais significativas da Praia da Vitória e de Angra do Heroísmo onde nos marcou a riqueza de tanta talha dourada do estilo maneirista a par da do barroco; ao esmagador algar do carvão, grutas desenhadas na perpendicular pelo vulcão que por ali passou há milhares de anos criando uma chaminé de cerca de 45 metros de profundidade com 15 a 20 metros de boca e que um grupo de voluntários colocou em condições de ser visitável e apreciável na inexcedível beleza das suas lavas basálticas e das estalactites de sílica amorfa, brancas, contrastantes com o negrume do basalto. Uma beleza este algar.
Outro momento alto foi o da tourada. Ai, as touradas da Terceira. Onde já se viu uma coisa assim? Trezentas touradas entre 1 de Maio e 15 de Outubro! Em todas as freguesias da ilha. E sempre com público garantido. Vá que as entradas são à borla; mas mesmo assim... Estivemos lá; apreciando, observando entusiasmos, medindo medos, fazendo fotos. Alguns congressistas também participaram; mas deram cabo dos pés a fugir do bicho. Conte lá como foi, ó Mendes. Outros dependuraram-se nas grades a quererem passar por valentes; mas sempre bem longe do animal.
A ida aos Biscoitos foi deliciosa. Aquele mar, aquelas pedras, aquele ambiente... Imperdível. O Museu do Vinho, ali ao lado, guarda memórias de um tempo que não volta. Merece visita; e estudo por parte dos etnógrafos terceirenses. E publicação desses estudos, para proveito de nós todos. Os miradouros são outra das maravilhas terceirenses. Passámos por alguns. Do Monte Brasil observámos S. Jorge e avistámos o Piquinho. O dia estava lindo e os espaço aberto. O Dr. Maduro Dias explicou tudo muito bem explicadinho. Como das outras vezes. Já sabíamos; mas pudemos comprovar. A música, nos Açores, é tratada com o maior carinho; e deferência. Todos a conhecem; e tratam bem. A viola de arame, com as suas 12 ou 15 cordas e o seu som especial, graças à apurada técnica de construção, faz as delícias de quem a pode ouvir, dedilhada com a mestria terceirense. E para além da viola, os instrumentos das bandas filarmónicas são igualmente acarinhados. Desde os tempos de menino. Conhecemos o Guálter. Não sabem quem é? Imperdoável. O Guálter é um moço fixe, de 12 anos, que parece um príncipe dentro da sua farda nova de executante de trompete. Gosta de tocar, de cantar e de serpentear por entre os folcloristas da Praia da Vitória. Para ver; para apreciar; para aprender; para participar. Aqui te fica um abraço, ó Guálter! Fizemos alguns Amigos. Com isso ficámos honrados e disponíveis para pagar na mesma moeda; e com juros altos que são bem merecidos. Só não conseguimos compreender certas medidas de poupança. Nas refeições, nas preocupações de bem receber nada pouparam. Já nas deslocações por toda a ilha não poderemos dizer o mesmo. Sabemos que a gasolina está pela hora da morte; mas, que diabo, também não era preciso exagerar. Um abraço de arromba costelas para os Amigos da Terceira, do Lopes Pires
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