“Os Águias” de Passos de Silgueiros
Os grupos de zés-pereiras estão ligados, desde tempos muito recuados, às festas e romarias de Portugal. Festa onde não se ouvisse o troar dos bombos feitos artesanalmente com a dura pele das cabras e as madeiras afeiçoadas e arredondadas por hábil e treinada mão calosa, com a ajuda de primitivas alfaias e engenho ligados a procedimentos empíricos e costumados, não era festa que se visse. Em Passos de Silgueiros, a tradição defende-se e vive-se esforçadamente. Em muitos aspectos. Também no que respeita aos tocadores de bombos e caixas – os zés-pereiras. Os instrumentos do grupo continuam a ser confeccionados de forma artesanal. Na própria localidade. Por artesão bem entendido. Por isso, quando chega a hora, o material cumpre bem a sua obrigação. E os tocadores também. O barulho, às vezes, é ensurdecedor; mas eles dizem que é mesmo assim. Grupo destes sem muito barulho não é grupo que se preze. Assim sendo, o que havemos de fazer? Meter algodão nos ouvidos e deixá-los ir com todo o seu entusiasmo. Eles andam por aí: em festas, romarias, animação de ruas, encontros e até em festivais da especialidade. Se tudo correr como o planeado, lá mais para diante, eles irão ao outro lado do Tejo a participar com outros companheiros em dia de tocar e de rufar. Passos de Silgueiros e a ASSOPS distribuem os seus jovens e as suas energias por diversificadas actividades culturais e recreativas que hão-de continuar a deixar a sua marca positiva por aí além, bem como, e sobretudo, naqueles que se sentem atraídos pelas actividades que a instituição lhes propõe. |