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Entrada Cultura Museu de Silgueiros Os Botões do Museu
Os Botões do Museu PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

Uma das maiores coleções do museu é a dos botões. Recolhidos de norte a sul de Portugal desde há mais de 30 anos, formam um conjunto interessante e valioso, onde há muitos exemplares belos e outros muito raros. No total, o seu número já ultrapassa os 140 mil.

Os mais antigos são dos finais do século XVIII, os famosos botões de unha, cuja primeira fábrica portuguesa se deve à iniciativa do Marquês de Pombal, incluída nas medidas de defesa e promoção da indústria nacional. O documento da época existente na biblioteca do museu mostra que essa manufatura de botões foi dada, em 9 de outubro de 1776, em regime de monopólio, por dez anos, a José Fernandes Chaves, para funcionar em Gulpilhares, subúrbio da cidade do Porto ou em outras quaisquer partes que mais lhe convier daquela província do norte, assumindo este a obrigação de dar completamente ensinados nos primeiros cinco anos seis aprendizes e a conservá-los por oficiais na mesma fábrica durante o resto do tempo desta graça. Uma outra condição lhe era ainda imposta que era a de manter sem alteração os preços que agora lhe eram determinados para venda tendo em conta se, para grandes ou pequenas quantidades, considerando ainda o tamanho dos botões –grandes para casacas e pequenos para véstias.

Para além dos de unha (de cavalos) podem ali apreciar-se botões de vidro e de cristal, de louça, de madeira, de pedra, de couro, de osso, de corno, de plástico, das mais diversas pastas sintéticas, algumas das quais já produzidas em finais do século XIX, de cobre, de latão, de alumínio, de linha, de fita, de pano, de marfim vegetal.

Falando do marfim vegetal, diremos que foi o material mais usado, para o fabrico de botões, desde finais do século XIX até ao aparecimento dos plásticos propiciadores de grandes reduções nos respectivos preços. O marfim vegetal tem a mesma cor do marfim animal, e com ele se podem fazer peças muito belas. Depois de tingidos das formas mais variadas, máquinas apropriadas fazem desenhos diversos em baixo relevo tornando-os muito agradáveis. Esta matéria prima é o caroço do fruto de uma certa palmeira chamada jarina que se cultiva no norte da América do Sul.

Um outro sector desta coleção é o dos botões de uniforme, militar e civil. Os nacionais mais antigos são do exército de D. Maria II e, do estrangeiro, os dos regimentos números 24 e 42 do exército napoleónico que, entre 1807 e 1810 ocupou o nosso país durante as chamadas invasões francesas.

Memórias de um passado mais ou menos distante, os botões, peças indispensáveis no vestuário de hoje, não tanto em tempos mais recuados, são material de estudo para os etnólogos que nos ajudam, como aos historiadores a conhecer e a situar factos e acontecimentos.

Actualizado em Quinta, 02 Fevereiro 2012 00:22